Auguste de Saint Hilaire (1779-1853), botânico e explorador francês, viajou de 1816 a 1822 pela América do Sul e visitou principalmente o sul e o centro do Brasil. Suas observações sobre a vegetação local lhe forneceram matéria prima para inúmeras publicações.
Seu herbário é conservado no Museu Nacional de História Natural de Paris, de Clermont Ferrand e de Montpellier. Membro da Academia de Ciências em 1830, substituindo Lamarck, ele é eleito presidente em 1835.
Além das diferentes publicações científicas, ele publica “Viagens pelas províncias de Rio de Janeiro e Minas Gerais” em 1830 e “Viagens pelo distrito dos diamantes e litoral do Brasil” em 1833, ambos jamais reeditados em francês.
Estas duas obras relatam o estado do Brasil no fim da colonização portuguesa, enquanto o Brasil proclamava sua independência em 1822.
Gilberto Freire (1900-1987), sociólogo e antropólogo, considera em seu livro mais famoso “Casa Grande e Senzala” (1930) que Saint Hilaire é um dos depoimentos estrangeiros mais credíveis sobre a sociedade brasileira deste período. Seu interesse pela biodiversidade e sua condenação ao desflorestamento fazem dele um pioneiro da Ecologia. Sua importância no Brasil é tamanha que as reedições em português de suas obras não pararam, contando-se uma dezena.
Para a fotografia, revisitar estas obras e seus itinerários permite medir a passagem do tempo sob um território, concordando com a definição do conceito da Missão Heliográfica de Prosper Merimé, de 1851, para proteger o patrimônio francês ameaçado.

Pierre Devin