A palavra Provenceprovincia nostra em latim – chegou a nós com a ocupação romana. Neste contexto, nosso território setentrional se situa à fronteira da antiga província do Dauphiné e dos Alpes e à frente do Massif Central. Duas montanhas, a Lance e o Ventoux, delimitam uma paisagem cara ao escritor Philippe Jacottet. Vindo do vale do rio Rhône, elas constituem as colunas do pórtico de entrada do parque natural dos Baronnies. O parque busca proteger a qualidade das paisagens e a biodiversidade. Os abutres-fouveiros recentemente reintroduzidos adotaram o ecossistema e o patrulham majestosamente.

Esta região de pomares, vinhedos, oliveiras, lavandas, plantas aromáticas, mas também de atividades pastoris, conheceu profundas transformações. Há meio século, o êxodo rural liberou um domínio imobiliário ensolarado procurado pelos amantes de residências secundárias.

Recentemente, o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e dos transportes de grande velocidade permitiu o estabelecimento permanente de profissionais, até então sujeitados às grandes metrópoles. Há muito tempo numerosos artistas são atraídos pela qualidade da luz, das paisagens e da vida dessa região de forma geral.

A Provence, durante a história, foi especialmente beneficiada pela pintura e pela literatura. O cinema ampliou esse interesse, não sem gerar arquétipos e clichês.

Esta terra, no curso da história, desde a noite dos tempos, acumulou traços significativos dos domínios geológicos, arqueológicos, antropológicos e históricos.

É também uma terra de resistência à opressão, das guerras religiosas às lutas contra a ocupação fascista e de proteção aos judeus contra o extermínio. Sem dúvida consciente da qualidade do meio ambiente e das ameaças – nuclear, gás de xisto, projeto imobiliário de outra era – que pesam sobre a região, mobilizações tomam corpo há muito tempo.

A Missão Lance Ventoux pretende questionar as mutações do território e da vida dos cidadãos. Longe de um inventário ilustrativo, o questionamento se orientará em direção aos pontos sensíveis. A luz, o espírito do lugar, o olhar, mais do que os conceitos, são produtores de formas, de senso e do sensível. A produção de obras originais ou inéditas, testemunhas do engajamento poético dos autores, contribuirá a uma reflexão sobre o mundo e sobre as formas que dele se apropriam. Os autores serão fotógrafos, escritores, pintores… As residências permitem alargar as perspectivas e abrir os campos a outras sensibilidades vindas também de outros continentes.

Além da ação cultural e artística, a Missão tem também um impacto social, ainda que apenas em termos de formação de imagens e de memória coletiva. Mesmo que seu objetivo não seja criar um banco de imagens, o corpo de todos esses ensaios constituirá, a longo prazo, uma bela ferramenta de observação da paisagem e de sua evolução.

A iniciativa da Missão é privada e não é apoiada por qualquer instituição. Ela assume, portanto, um formato cooperativo e reabilita o funcionamento coletivo. Sua direção artística se situa na intersecção das questões territoriais e formais.

Pierre Devin

Taulignan, março de 2016