22 páginas, formato 23,5 x 25,5cm, 14 fotografias, impressão com pigmento mineral sobre papel Matt Fibre 200g/m²


Pierre Devin (Valenciennes, França, 1946) é diretor artístico, fotógrafo e curador.

Como fotógrafo, realizou trabalhos que abordam questões sobre a paisagem – Thiérache, Índia do Sul e Rio Mondego -, sobre a era pós-industrial – Ligne de Fracture e Cinq Jours à Bakou -, sobre a cidade – Dunkerque, Amman e Recife. Também sobre o relacionamento da fotografia com a literatura – Giono e Alma Gêmea, realizado com o poeta francês Dominique Sampiero -, com o cinema – Journal de Brooklin e Nordeste – e com a escultura – Carpaux e Dejonghe.

Fundou e foi diretor artístico, por mais de 25 anos, do CRP – Centre Regional de la Phtographie, Nord Pas de Calais, França. Entre os títulos e coleções idealizados e realizados pelo CRP e editados por Devin têm destaque: Marc Triver, Arno Fischer (Berlim 1943-1990), Dytivon, fotografias da École Biblique e Archélogique Française de Jerusalém. Também como uma atividade do CRP, entre 1987 e 2006, Devin promoveu a Missão Fotográfica Transmanche, projeto para o qual editou 27 cadernos. Entre eles merecem grande destaque: Josef Koudelka (Panorâmicas), Bernard Plossu (Paris-Londres-Paris), Lewis Baltz (Ronde de Nuit).

Promove workshops de fotografia dirigidos ao público em geral. Trabalho com crianças, delinquentes e prisioneiros, na França, México, Brasil, e em campos de refugiados na Palestina e Jordânia.


Cinco dias em Bakou

Depois de uma escala forçada em Istambul e do vôo sobre Trebizonda, os acasos da vida me levaram para o Azerbaijão em 2000. O que se pode fazer em tão pouco tempo em um país que se acaba de conhecer?

O fotógrafo olha aquilo que está na frente e atrás de suas pálpebras. Diante de um território de campos petrolíferos, orgulho da época soviética e agora em decadência, surgem as imagens passadas da Ásia Central, do Oriente Médio, do norte pós industrial da França. As paisagens, assim como as pessoas, trazem as marcas das fraturas recentes, que se sobrepõem a outros traços da história. As novas gerações terão que reconstrutir uma identidade através de todas as mutações e encontrar energia para continuar o ofício de ser ser humano, mesmo que o mundo pareça cair.

A perda da memória torna este processo impensável. O futuro começa hoje, assumindo o caminho de ontem. A fotografia, que precisa da relação direta com o espaço e com o tempo, pode ir além do papel de testemunha. Pelas formas, ela também questiona nosso inconsciente coletivo, assim como evoca aquilo que se apreende antes da linguagem. Participa, assim, da construção de uma cidadania mundial.

Pierre Devin

janeiro 2001